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Articles by Andreia de Jesus
Por que a Comissão de Direitos Humanos homenageou policiais militares em Minas Gerais
Durante muitos anos, direitos humanos e polícia foram apresentados como lados opostos de uma mesma disputa. Como se defender direitos significasse atacar os profissionais da segurança. Como se cobrar mudanças fosse incompatível com reconhecer o trabalho daqueles que dedicam suas vidas à proteção da população. Por isso, ouvir tantas vezes o major Francis me dizer: “Deputada, não desista da polícia” sempre me provocou. A frase é quase um convite à persistência.
A rotina que não cabe na vida
No 1º de Maio, milhares de trabalhadores ocuparam as ruas do Brasil para denunciar a escala 6x1. Hoje, o país volta ao “normal”: gente acordando de madrugada, atravessando cidades inteiras para entregar sua vida a uma lógica que não deixa espaço para viver.
Uma cidade que alaga suporta prédios de 50 andares?
Quem passou pelo Centro de Belo Horizonte nos últimos dias viu de perto o que a chuva foi capaz de fazer. A avenida Afonso Pena, um dos principais cartões-postais da cidade, ficou debaixo d’água. Árvores caíram, o trânsito travou, ruas ficaram completamente inundadas e muitas pessoas não conseguiram sequer se deslocar. Teve gente chegando em casa horas depois, enfrentando o caos. E não foi só no Centro. Diversas regiões da cidade sofreram com os impactos.
O colapso do sistema prisional em Minas Gerais
O que está acontecendo no sistema prisional de Minas Gerais não pode mais ser tratado como uma crise pontual. O que vemos hoje é permanente, previsível e, sobretudo, resultado de escolhas políticas. No Ceresp Gameleira, em apenas 16 dias, quatro pessoas morreram sob custódia do estado. Uma unidade projetada para cerca de 400 pessoas – posteriormente ampliada para 800 – abriga hoje quase 2.000. A estrutura de água, esgoto e energia continua dimensionada para menos da metade disso.
Que país estamos construindo para nossas meninas?
Às vésperas do 8 de março, enquanto se organizam flores e campanhas publicitárias, meninas seguem aprendendo cedo demais o significado do medo. Uma adolescente de 17 anos foi vítima de estupro coletivo em Copacabana, no Rio de Janeiro. O caso chocou o país, mas não surpreende quem acompanha a escalada de violência contra mulheres. Segundo a investigação, ela foi atraída por um colega de escola com a promessa de um encontro.
Caso Marielle: Justiça não apaga a dor, mas rompe o ciclo de impunidade
Os assassinos de Marielle Franco e Anderson Gomes foram condenados. É preciso começar assim pelo nome dos dois. Marielle, mulher preta, cria da Maré, socióloga, vereadora que denunciava as milícias e o genocídio da juventude negra. Anderson, trabalhador, motorista, pai de família, que estava ali exercendo seu ofício e teve a vida interrompida junto com a dela. Durante anos, o Brasil assistiu à tentativa de transformar esse crime em estatística, em suspeita, em disputa narrativa.
Qual futuro queremos para o Carnaval de BH?
O Carnaval de Belo Horizonte foi lindo. A cidade cheia, gente ocupando as ruas, trabalhadores gerando renda, turistas descobrindo nossa cultura. Estive nas ruas, no meio do povo, acompanhei blocos, conversei com ambulantes, senti a energia que faz do nosso Carnaval um dos mais potentes do país.</CW> O Carnaval movimenta a economia, fortalece serviços e projeta a cidade nacionalmente. A prefeitura investe milhões, e o retorno chega à casa dos bilhões. Isso importa.
A crise climática tem cor, classe e endereço
Quando os termômetros batem recorde, os jornais estampam a mesma imagem: praias lotadas, corpos ao sol. A pergunta que nunca aparece é lazer para quem? Para quem pode sair de casa e escolher onde estar, talvez. Para a maioria das pessoas, o calor não se resume a uma paisagem de verão. É uma ameaça para o gari que varre as ruas sob o asfalto fervendo, para o pedreiro em cima do andaime sem sombra e sem água.
Água que passarinho não bebe vale ouro
Por que algumas cachaças alcançam reconhecimento internacional e alto valor, enquanto aquelas produzidas há gerações em territórios quilombolas seguem invisibilizadas pelo Estado e pelo mercado? A resposta passa pelo racismo estrutural que organiza o Brasil. São escolhas políticas e econômicas que historicamente definem quem pode acumular valor, prestígio e legitimidade e quem tem seus saberes apropriados e silenciados. A cachaça não é fruto do acaso.
Copasa, água e soberania
O avanço da privatização da Copasa pelo governo Zema aprofunda um modelo que trata o saneamento como produto de mercado. A desestatização, apresentada como solução, representa a transferência de patrimônio público para fundos financeiros que visam o lucro em vez da garantia de vida digna. Essa lógica penaliza sobretudo as periferias urbanas, onde o acesso ao saneamento depende da presença ativa do Estado.
O Vale do Jequitinhonha não é ‘geração perdida’
Diante de uma plateia global, na COP30, a CEO da Sigma Lithium, Ana Cabral, disse que os moradores do Vale do Jequitinhonha eram “mulas de água”, parte de uma “geração perdida” que a empresa teria “resgatado”. O que nós ouvimos da boca que fala pela empresa foi um diagnóstico moral sobre um povo e, por tabela, sobre o tipo de desenvolvimento que certas elites tentam impor ao Brasil.
Ainda [não] estamos aqui: universidades seguem barrando negros de alcançarem a docência
A história da professora Érica Bispo é um espelho doloroso do que o Brasil insiste em negar. Os corpos pretos seguem sendo sistematicamente excluídos dos espaços de prestígio e poder, inclusive e talvez sobretudo dentro das universidades públicas. Érica, doutora e pós-doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi aprovada em primeiro lugar em um concurso para professora de Literaturas Africanas e Portuguesas na Universidade de São Paulo (USP).
Minas não pode abrir mão da Copasa
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Organização criminosa desmantelada pela PF em Minas
A mais recente investigação da Polícia Federal (PF) explodiu como uma bomba em Minas Gerais, revelando um esquema de corrupção que muitos suspeitavam, mas poucos imaginavam ver exposto com tamanha aparelhagem. Graças à independência da PF assegurada pelo governo Lula, foi escancarado verdadeiro gabinete de corrupção da mineração dentro do Estado.
Gás do Povo salva vidas
Andreia de Jesus é deputada estadual (PT) e presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais O Gás do Povo, novo programa do governo federal, lançado pelo presidente Lula ao lado do ministro Alexandre Silveira em uma das maiores favelas do Brasil, é mais do que uma política de segurança alimentar e justiça social: é também uma política de prevenção de acidentes domésticos.
Nova regra de isenção do imposto de renda é uma vitória para as mulheres negras
Foi preciso enfrentar a obstrução bolsonarista no Congresso para garantir a aprovação do Projeto de Lei nº, que garante isenção do Imposto de Renda a quem recebe até dois salários mínimos. Apesar da extrema direita, o Senado aprovou uma medida que garante comida na mesa de milhões de brasileiros e brasileiras.
Educação quilombola é política de reparação
Aprovamos na Assembleia Legislativa de Minas um projeto que carrego no coração desde o primeiro dia do meu mandato: as diretrizes para a educação escolar quilombola em nosso Estado. É difícil descrever o que senti; foi alívio, foi alegria, foi honra, foi luta vencida. Foi também um reencontro com tantas vozes que vieram antes de mim, com os passos firmes dos meus ancestrais. Eu disse isto em entrevista e repito aqui: esse projeto é o mais importante depois da Lei Áurea.
O desmonte do Hospital Maria Amélia Lins
Minas Gerais está sendo palco de uma tragédia anunciada. O Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), referência no atendimento de traumas e símbolo da resistência do Sistema Único de Saúde (SUS), está sendo dilapidado pelo governo Romeu Zema (Novo), que optou por terceirizar sua gestão. A justificativa? “Eficiência” e “modernização”. Mas a realidade é outra: o que se vê é um projeto cruel de desmonte do Estado e mercantilização da vida.
Carnaval, Oscar e o sentimento coletivo
A cultura tem um poder único de unir as pessoas. Ela rompe barreiras sociais, geográficas e econômicas, conectando multidões por meio de experiências compartilhadas. Nos últimos dias, vimos dois exemplos claros dessa força: o Carnaval de 2025, uma explosão popular que tomou as ruas e as redes sociais, e a cerimônia do Oscar, que gerou reações tão intensas quanto uma final de campeonato. O Carnaval é muito mais do que uma simples festa.
O Carnaval e suas raízes negras: a alma de Minas
O Carnaval é a maior manifestação cultural do Brasil e, em Minas Gerais, essa festa carrega um significado profundo, que vai além da folia e da celebração. Suas raízes negras são incontestáveis, forjadas nas senzalas, nos quilombos e nos terreiros, e se tornaram fundamentais para a construção da identidade mineira. Mais do que uma festa, o Carnaval é um ato de resistência, um grito de liberdade e uma celebração da riqueza cultural do nosso povo.
O que as chuvas têm a ver com o racismo?
A cada temporada de chuvas em Minas Gerais, os números chocam e as histórias se repetem. Desde o final de setembro até metade do mês de janeiro, o Estado registrou inúmeras cidades em situação de emergência, 26 mortes, 354 desabrigados e 3.270 desalojados. Mas quem são as pessoas que sofrem de forma mais brutal com essas tragédias?
Garantir políticas de assistência social
De acordo com pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a quantidade de pessoas em situação de rua hoje é três vezes maior se comparada ao último censo, divulgado em 2013. Atualmente são mais de 5.000 pessoas, das quais 82,6% se declaram pretos ou pardos. Mais uma evidência de que a pobreza tem cor. Quando expandimos esse cenário para as demais regiões do nosso país, 33 milhões de brasileiros estão em situação de extrema pobreza.
Da solidão da mulher negra à mãe solo
Na véspera do Dia das Mães, quero parabenizar todas e exaltar as mães solo! Por experiência própria, sei das inúmeras dificuldades que as mães solo enfrentam e a total desesperança em muitas vezes se veem mergulhadas. Mas também não conheço coragem e força maior do que a desse grupo de mães que se assume (normalmente de forma compulsória) como única responsável por cuidar dos filhos – conciliando trabalho, casa, acompanhamento nos estudos, atenção com a saúde e apoio afetivo.
Seringas vazias
O ano de 2021 será lembrado pela imunização em massa contra a Covid-19 no mundo. Grande parte da Europa e das Américas já iniciou essa jornada, e já passou da hora de as autoridades políticas iniciarem com seriedade essa jornada no Brasil. Instituições desconhecidas até bem pouco tempo por grande parte da população estão em evidência neste momento por proporcionarem a produção da vacina no país. São elas o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz.
O caminho é feito ao caminhar
Em 2020, fizemos mais do que pensávamos ser possível e menos do que seria necessário. Assim poderia ser a síntese do que realizamos em 2020. Mas há um tom meio derrotista, pessimista, que, definitivamente, não cabe na nossa atuação parlamentar. Avaliamos ser mais assertivo dizer que fizemos muito mais do que pensávamos ser possível e descobrimos que, a cada passo nosso, abre-se um caminho para tantos outros.
Quando a justiça é ensurdecida
Completamos, no último dia 20, quatro meses desde a decretação de calamidade pública em Minas Gerais. Conforme o tempo passa, pouco muda, e as mortes aumentam, fica cada vez mais difícil garantir que população fique em casa e que o comércio não essencial continue fechado. Além disso, o isolamento social prolongado acaba restringindo o direito do povo de ocupar as ruas e de se manifestar sobre assuntos que interferem diretamente em suas vidas, dificultando o exercício da democracia.
A pandemia não é desculpa para passar a boiada na ALMG
No dia 23 de junho, o governador Romeu Zema foi pessoalmente à Assembleia Legislativa para entregar projetos de lei que representam mais um golpe direcionado aos trabalhadores do Estado: a PEC 55/2020, que contém uma proposta extremamente injusta de Reforma da Previdência, e o PLC 46/2020, que propõe reforma administrativa nos órgãos previdenciários do Estado. É impossível não falar do cenário social que estamos enfrentando neste momento ao comentar as duas propostas legislativas.
Estado ignora pauta do enfrentamento da violência contra as mulheres
Na última quinta-feira, dia 7, vivenciei a emoção única que é ver um projeto de lei ser aprovado no plenário da Assembleia Legislativa (ALMG).
Pelas minas das gerais na história de 300 anos de Minas
Há quem diga que 2020 só começa depois do Carnaval. Não para nós, deputadas, que estamos trabalhando desde janeiro na organização dos nossos mandatos, na assistência aos atingidos pelas enchentes e, também, na preparação de eventos para os 300 anos de Minas Gerais, que serão comemorados neste ano. A todo tempo, tenho a consciência de que estamos escrevendo um pedaço da história deste Estado.
Racismo não é brincadeira, é crime
Estamos em novembro e na semana do Dia da Consciência Negra. Quero aproveitar a data para refletirmos sobre como temos tratado os casos de racismo, que ainda são muito frequentes. Já são 31 anos desde que o racismo passou a ser considerado crime no Brasil e outros 79 anos que o Código Penal prevê, em seu corpo, o crime de injúria racial. Apesar disso, ainda falta muito para que haja, de maneira mais efetiva, a responsabilização dos que cometem esses crimes no Brasil.
Perguntas para um Estado ausente
A Assembleia Legislativa começou, neste ano, a promover um evento para fortalecer as ações de fiscalização da atuação do Poder Executivo por parte das deputadas e deputados estaduais e, ao mesmo tempo, possibilitar que a população tenha acesso às informações sobre o que ocorre no governo do Estado. Trata-se do Assembleia Fiscaliza, em que, a cada quatro meses, os secretários vêm apresentar um relatório de gestão e são sabatinados pelos parlamentares da Casa.
Morte anunciada
Em todo o Brasil, vivemos assombrados pelo cenário de crise econômica, que nos deixa em completa incerteza sobre o futuro.
A recuperação fiscal que Minas precisa para enfrentar a crise
A crise econômica e administrativa de Minas Gerais tem raízes históricas complexas, resultado tanto de decisões político-administrativas do atual e dos antigos governos estaduais como também de um processo de obstrução do desenvolvimento promovido pela União. Desde os anos 90, imposições do governo federal têm feito nosso Estado refém de medidas como a Lei Kandir, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a dívida pública estadual.
Negros, pobres, jovens e mulheres: as vítimas da violência no Brasil
A violência é uma realidade alarmante no Brasil e atinge principalmente a população negra, jovem e mais pobre. Segundo dados do Atlas da Violência, publicado na última semana pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, vivemos o maior índice de homicídios na série histórica no Brasil: foram mais 65 mil em 2017 – ano de análise da pesquisa. Números aterradores retratam a morte de jovens, que representou 54% do total de homicídios, um crescimento de 38% nos últimos dez anos.
Povos indígenas enfrentam uma agenda de retrocessos
No mês da resistência indígena, temos pouco a celebrar. A agenda de retrocessos imposta pelo governo Bolsonaro tem intensificado as violações de direitos dos povos indígenas e demais comunidades tradicionais no Brasil. Tal agenda, aliada à promoção do discurso racista, tem potencializado a criminalização e a vulnerabilização desses povos e ampliado a necessidade da luta pela garantia ao território e acesso à saúde e à educação.
Menos cortes, mais direitos
Está tramitando em regime de urgência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais o Projeto de Lei 367/2019, que trata da reforma administrativa do Estado. Nele, o governo Zema propõe supressão de nove secretarias, passando de 21 para 12. A promessa, amplamente propagandeada na imprensa, é reduzir custos e aumentar a eficiência do Estado, com uma economia para os cofres públicos, em quatro anos, de R$ 1 bilhão.
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