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Articles by Camilo Aggio
Opinião - Camilo Aggio: Eleitores nunca decidem seu voto em um vácuo social
Conforme veiculou recentemente o alemão Deutsche Welle, "estudos mostram que eleitores de vários países perguntam a chatbots como ChatGPT e Gemini em quem deveriam votar, uma questão que preocupa especialistas e desafia reguladores eleitorais". Publicado nesta Folha, o ótimo artigo "A escolha de candidatos por IA e os riscos de confiar nas respostas" (7/2) versa sobre a necessidade de regulação de sistemas de inteligência artificial.
Opinião - Camilo Aggio: No fim, é mais sobre pessoas do que sobre algoritmos
Dois eventos políticos recentes trouxeram de volta e com força o tema da desinformação para o debate público. O primeiro envolve a montanha-russa da portaria normativa de fiscalização do Pix. O segundo, com uma coloração partidária mais destacada, mas constantemente associado ao primeiro evento, se refere à queda da popularidade do governo Lula 3, conforme medições de institutos, dentre eles Datafolha e Quaest.
Latinoamérica21: Zuckerberg e a percepção dos brasileiros sobre regulação de conteúdos online
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Os games e o populismo censório e anticientífico de Lula | por Camilo Aggio
Não é novidade, mas tem contornos bastante particulares de gravidade. Lula, o atual presidente do Brasil, sugeriu, em uma reunião com o objetivo de discutir possíveis mecanismos de combate a ataques violentos em escolas brasileiras, que o consumo de jogos eletrônicos teria uma relação de causalidade com esses atentados brutais. Disse Lula, dedicando um valioso tempo à tese: “[…] Não tem jogo, não tem game falando de amor, não tem game falando de educação, é game ensinando a molecada a matar”.
Camilo Aggio: Folha, a serviço da antidemocracia
Infelizmente, era previsível. Alguma surpresa pode ser colocada na conta da coincidência com a data em que militares e congêneres – e o bolsonarismo em uníssono – comemoram o golpe de 1964. Hoje, a Folha de S. Paulo publicou um editorial que é concluído da seguinte maneira: “Opondo-se ao petismo, o bolsonarismo pode dar vigor à política brasileira – desde que abandone a violência, a atitude antidemocrática e a polarização irracional”.
Camilo Aggio: Entre, Moro. As portas estão sempre abertas
Exceções confirmam a regra. E a regra que a cobertura política da grande imprensa nesta semana deixou bastante clara foi toda a sua disposição para dar palanque a Sergio Moro. Não se trata de um caso isolado. Figuras centrais do bolsonarismo, como Hamilton Mourão e Flávio Bolsonaro, ganharam generosas páginas de destaque em veículos de grande circulação, como O Globo e Folha de S. Paulo, apesar, inclusive, da irrelevância política de ambos no momento.
Não há desinformação sem conspiração
Nunca compreenderemos devidamente o fenômeno que se convencionou chamar de desinformação se não tivermos a clareza de que, na maioria das vezes, estamos a lidar com as teorias conspiratórias. E essa constatação implica, necessariamente, em compreender como funcionam os mecanismos por trás dessa engrenagem e suas implicações para a vida social, política e até sanitária das sociedades. Comecemos com uma ilustração bastante elucidativa.
Opinião: O xadrez da desinformação | por Camilo Aggio
Escolha o seu bolsonarista favorito. Sabe aqueles que até hoje frequentam grupos de desinformação simpáticos ao ex-presidente no Whatsapp e Telegram? Os que consomem notícias do Jornal da Cidade Online? Então, escolha o seu favorito e tente enganá-lo com uma fake news sobre Jair Bolsonaro. Talvez uma que dê conta de que ele adora cheirar cocaína e confraternizar com travestis. Eles dificilmente serão convencidos da autenticidade dessa invenção.
O efeito de terceira-pessoa ou 'o inferno são os outros'
As pessoas acreditam que as informações falsas (ou falsas notícias) são uma ameaça por julgar que as outras pessoas são ingênuas. Embora já tenha tratado do tema aqui em mais de uma ocasião, essa frase não é minha. A rigor, nem de uma mera frase ou opinião se trata, mas de uma constatação empírica.
O Pix de Campos Neto, o jornalismo e a taxa de juros | por Camilo Aggio
Não possuo formação específica em Ciências Econômicas. Sequer penso ter alguma competência, mesmo que diletante, para discutir questões técnicas e específicas desse ramo, como os critérios que devem reger decisões sobre a adequação das taxas de juros, em determinados contextos e conjunturas, tomadas por uma instituição encarregada de regular o sistema financeiro.
A intervenção militar furtiva no Brasil – Opinião – CartaCapital
Brazil’s Stealth Military Intervention é o título de um artigo científico recém-publicado no periódico Journal of Politics in Latin America por Karabekir Akkoyunlu, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, e José Antonio Lima (ex-editor em CartaCapital), da USP.
Opinião: Para quê falar em golpe, Lula? | por Camilo Aggio
Foi em 16 de setembro de 2019, no programa Roda Viva da TV Cultura, que Michel Temer disse:“Eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe”. Na plateia, espantava-se o jornalista Ricardo Noblat, um dos maiores entusiastas da armação golpista e desgraçadamente antidemocrática que roubou o mandato concedido a Dilma Rousseff em 2014. “Eu não poderia ser articulador de um golpe porque chegaria muito mal ao governo”.
Opinião: Da ressurreição das agências de risco à PEC do Estouro | por Camilo Aggio
Vejam como o acaso dos fatos da semana, por si só, já é elucidativo do que vivemos e do que viveremos por muitos anos. Na mesma semana em que recebemos a notícia de que o projeto de Paulo Guedes e Jair Bolsonaro para comprar a reeleição fez com que milhares de bolsistas da Capes ficassem sem receber as suas – já defasadas – bolsas de pesquisa, o jornal O Globo ressuscitou as agências de risco. Lembram delas? Aquelas que passaram quase quatro anos sumidas de nossos grandes veículos. Mas por quê?
Voltamos à normalidade no Brasil. Aquela que nos enfiou nesse buraco
Antes mesmo de tomar posse como ministro da economia, parlamentares relatores do orçamento de 2019 convidaram Paulo Guedes para propor emendas que contemplassem em parte os planos de sua gestão, afinal, a concepção e aprovação da peça sempre se dá no ano anterior à sua execução. A reação de Paulo Guedes não foi apenas tempestiva, mas expressiva de sua retumbante ignorância em matéria de gestão pública, aos moldes de seu chefe.
As primeiras lições do outubro mais longo de nossa história | por Camilo Aggio
O outubro mais longo da história da política brasileira passou. O risco de continuidade do projeto imoral e abjeto de destruição da extrema-direita brasileira parece ter se dissipado diante da falta habilidade (e talvez de recursos) do candidato à reeleição derrotado no último dia 30. Não que o horizonte de possibilidades golpistas tenha sumido completamente, afinal, para quem acompanha de perto o ecossistema de comunicação digital do bolsonarismo, a regra é sempre a cautela.
Camilo Aggio: A violência de Roberto Jefferson antecipa o que nos avizinha
Enfim, cá estamos. Sete dias nos separam de alguma tentativa de recuperar algum traço civilizatório e a barbárie instituída. A demonstração cristalina dessa encruzilhada está no fato de que deveríamos estar discutindo as melhores propostas de políticas públicas, mas estamos examinando o fato de um político bolsonarista ter recebido a tiros e granadas agentes da Polícia Federal.
O voto antipetista em Jair Bolsonaro é uma falácia
Remonta ao menos a 2018 a insistência de que o voto em Jair Bolsonaro não é, exatamente, um voto em Jair Bolsonaro, mas um voto contra o Partido dos Trabalhadores. O tal voto antipetista ou anti-PT. Formulação, por si só, extremamente reducionista que, curiosamente, continua a existir mesmo após quase quatro anos de um mandato presidencial nefasto como nunca se viu e uma resiliência eleitoral extraordinária por parte do atual mandatário.
Quais as chances de Lula e de Jair Bolsonaro no 2º turno
O que aconteceu nesta disputa presidencial de primeiro turno em 2022?Trata-se da pergunta que está encucando e angustiando muitos e muitas. De todos os lados, temos mais exageros do que razões sólidas para tanta animosidade. Tentarei explicar. Em primeiro lugar, parece-me que houve muito menos erros dos institutos de pesquisa do que uma movimentação de votos não capturados no último dia em que esses institutos foram a campo.
Camilo Aggio: Voto envergonhado ou voto amedrontado?
Segundo o Dicionário Oxford, vergonha se define como “desonra que ultraja, humilha; opróbio”. Há ainda outra acepção para o substantivo, segundo o mesmo dicionário: “o sentimento desse ultraje, dessa desonra ou humilhação”. A vergonha, vulgarmente falando, é um sentimento que funciona como um mecanismo de defesa social contra algo do qual, no mínimo, não nos orgulhamos de termos feito, pensado, desejado, realizado.
Camilo Aggio: O governo mais escandaloso da Nova República terminará sem nenhum escândalo para chamar de seu
Uma jornalista está prestes a lançar um livro com 283 páginas sobre como Lula e seus parentes enriqueceram ilicitamente por meio do desvio de recursos públicos. Os documentos analisados e as testemunhas ouvidas dão conta da compra de mais de 100 imóveis, dos quais, mais da metade, pagos parcial ou inteiramente por meio de dinheiro vivo.
Camilo Aggio: Se Jair Bolsonaro perdeu no JN, Lula deu uma aula magna
Para analisarmos as performances dos candidatos à presidência nas entrevistas dadas ao Jornal Nacional, inclusive em termos comparativos, precisamos fazer um distinção elementar: não se tratam de entrevistas ordinárias, mas de entrevistas situadas no calendário eleitoral. Estamos falando, portanto, de dois gêneros distintos.
Camilo Aggio: Entrevista não é campeonato, mas Jair Bolsonaro perdeu
Antes de qualquer comentário ou análise que se queira fazer sobre uma entrevista jornalística com Jair Bolsonaro, é preciso considerar um elemento fundamental: não estamos diante de um candidato normal. E quando acuso anormalidade, não me refiro, sob qualquer hipótese, a qualificações positivas que habitam algumas excentricidades.
Um vatapá de loucuras
Eu estou convencido de que criou-se uma mística em torno da eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Essa mística costuma ser pronunciada por meio de vocabulários distintos. Alguns indicam um acidente. Outros, uma anomalia. Mas muitos dão ao resultado daquele pleito um caráter realmente mágico. Uma espécie de feitiçaria que ainda não foi quebrada e que pode nos atingir, sorrateiramente, outra vez mais.
Nesta semana, Bolsonaro saiu-se muito bem, graças a seus adversários | por Camilo Aggio
Expectativas irrealizáveis, falsas ou desmedidamente otimistas são um prato cheio para a frustração. Não há fórmula mais eficaz para a fossa emocional. Eu diria que, em todas as dimensões da vida, abraçar o realismo em detrimento de idealismos é um bom caminho para a saúde mental e emocional. Para a vida coletiva, idem. Quando chegamos na dimensão da política, no entanto, adentramos um outro aspecto: as expectativas não levam apenas à frustração, mas à derrota antes improvável.
Com o Flow, Bolsonaro conquistou sua live dos sonhos
Tivemos algumas tantas aulas (e, talvez, lições) nas mais de cinco horas que o podcast Flow deu de presente a Jair Bolsonaro. Enumerarei algumas que, nem de longe, são capazes de esgotar as nuances e relevância do que se viu. Comecemos pelo aspecto estratégico. Bolsonaro mostrou que está muito bem preparado para encarar eventos midiáticos de campanha.
A subestimação continua a ser a maior aliada de Jair Bolsonaro
Em quase todo o intervalo que separou janeiro e outubro de 2018 (talvez até antes disso), onze em cada dez analistas de política e comentaristas da imprensa diziam que as chances de Jair Bolsonaro se eleger presidente eram algo próximo de zero. A própria elite política, mais notadamente os grandes partidos e os principais candidatos, não fizeram diferente: Bolsonaro era o candidato ideal a ser abatido por qualquer um num eventual segundo turno. Bem, sei bem do que falo.
E os policiais no plano de golpe de Jair Bolsonaro?
“Imprensa tendenciosa, aprenda: operação policial nunca é chacina”; “enquanto o STF proíbe operações policiais durante a pandemia no Rio de Janeiro, criminosos agem com total liberdade e atiram para cima ao ver um helicóptero passando…”; “Nosso País está se especializando em dificultar e criminalizar a atividade policial e, ao mesmo tempo, criar toda a facilidade e proteção para bandidos”; “sequestro relâmpago. Criminoso estava no saidão. Deixe sua indignação nos comentários.
A censura na Unicamp e arte de fazer do arbítrio uma defesa da democracia
Não faz muito tempo. Foi em 13 de novembro de 2017 lá na minha eterna casa, a Universidade Federal da Bahia. Um grupo de alunos se reuniu e resolveu marchar em direção ao Pavilhão de Aulas da Federação (PAF III) com o propósito de impedir a exibição do filme O Jardim das Aflições, de Josias Teófilo, sobre o guru da extrema-direita brasileira, Olavo de Carvalho. Qualquer semelhança com o que aconteceu na quarta-feira passada na Unicamp não é mera coincidência.
Opinião: Os direitos reprodutivos e uma razão para não ignorarmos o óbvio
Não há dúvidas: a agenda de maior relevância na esfera pública brasileira na semana passada foi a agenda moral. E isso se deu em razão de dois eventos interdependentes: o caso da menina de 11 anos, estuprada, grávida e alijada de seus direitos e garantias fundamentais por uma juíza de Santa Catarina e o rebote desse mesmo tema, envolvendo a violação da privacidade da atriz Klara Castanho. Em termos de política e debate público, que é o que nos concerne aqui, o caso trouxe nuances interessantes.
Camilo Aggio: Os militares querem uma intervenção eleitoral. O TSE lhes deu um sinal verde
Na mesma semana, tivemos duas péssimas e temerárias notícias para a democracia brasileira. A primeira diz respeito à nota divulgada pelo Ministério da Defesa dos militares de Jair Bolsonaro. Nela, não apenas o ministro, mas o alto comando das Forças Armadas e o presidente da República, mandaram mais um recado chantagista com aparência de reclamação ao Tribunal Superior Eleitoral.
Em 2022, não se pode confiar nos militares e no sistema eleitoral ao mesmo tempo
Nem só de amarguras vive Jair Bolsonaro. Diante do último Datafolha, o momento, na verdade, é de celebração. O ex-capitão, afinal, já percebeu e decidiu há um bom tempo que não concorre contra Lula, candidato favorito da maioria dos eleitores brasileiros, mas contra a própria democracia. Por outro lado, a mesma notícia não parece ser tão boa para os “tarados” pela democracia direta.
Depois do Datafolha, Bolsonaro terá de reajustar a agenda do golpe
Para quem precisava ou estava realmente sedento por uma pesquisa presencial de confiança, saíram hoje números recentes do Datafolha. O resultado não poderia ter sido pior para Jair Bolsonaro. Na pesquisa estimulada, Lula abriu 21 pontos de vantagem sobre o ex-capitão. Aparece com 48%, contra 27% do adversário. Acreditem, esses são dados menos importantes. O que realmente importa é a medição espontânea de intenção de votos, que não oferece opções para a escolha dos entrevistados e entrevistadas.
Ciro Gomes e uma aula magistral de anticampanha eleitoral
Na esteira dos eventos que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff e, ato contínuo, na presidência de Jair Bolsonaro, o MBL fundou uma espécie de tática de comunicação política no Brasil. Consistia, basicamente, em eleger personalidades públicas e celebridades digitais de esquerda para provocar, ofender e, no limite, desafiar para um “debate” — que, obviamente, nada tinha de debate.
A Espiral do Silêncio da Caserna ou O Golpe do Off
Vocês já devem ter percebido a existência de um fenômeno atual que orbita o golpe bolsonarista e se manifesta no jornalismo político.
É sobre o golpe, estúpido! | por Camilo Aggio
Não era por algum produto da chamada linha branca. Aquelas pessoas no vídeo não estavam disputando ferozmente a chance de comprar algum eletrodoméstico em promoção. Estavam disputando, às cotoveladas, descontos em um artigo banal da culinária brasileira: cebolas. O vídeo circulou pelas redes na semana passada. Segundo as informações disponíveis, foi gravado em algum mercado de Brasília.
A empreitada bolsonarista para 2022 é cada vez mais golpista | por Camilo Aggio
Já era tempo, mas tomara que não tenhamos perdido tempo demais. A tese da tentativa de golpe por parte de Jair Bolsonaro deixou de ser menosprezada, quando não desprezada por setores sociais relevantes e fundamentais para o regime democrático do País. Ou, ao menos, o que ainda resta dele.
Soberania popular ou soberania dos armados?
Se a eleição de 2018 não foi uma eleição típica, a de 2022 dá sinais mais do que claros de que também não será. E vai além. Não me refiro, definitivamente, a questões de natureza da comunicação política envolvendo redes sociais e desinformação, embora sua relevância seja indiscutível. Também não me refiro ao resultado que, inexoravelmente, virá acompanhado da apuração dos votos registrados nas urnas eletrônicas.
Pesquisas eleitorais: avalanche de ansiedade apenas favorece Bolsonaro
As reações da oposição à melhora de Jair Bolsonaro sugerida pela mais recente edição da pesquisa PoderData – o instituto captou que a distância teria entre ambos diminuído para 5 pontos – demonstraram que a linha que separa a lucidez do alarmismo é mais tênue do que parecia. E isso é grave. Prefiro não entrar em detalhes de ordem metodológica, mas cabe salientar que o cenário apresentado pelo PoderData destoa das sondagens dos outros institutos.
Lula, o aborto e os militares
O candidato à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou dois episódios políticos que mexeram com os brios de muitos analistas e comentadores de redes digitais. Mais especificamente, tratou do tema do aborto e fez uma fala relativamente dura ao tratar dos militares.
Fenômeno que contribuiu para a vitória de Bolsonaro em 2018 deve ajudar Lula em 2022
Prometi que voltaria ao tema da última coluna e cá estou. Creio, inclusive, que voltar a esse tema se faz ainda mais necessário depois da última pesquisa Datafolha. A “recuperação silenciosa” de Jair Bolsonaro, conforme análise do próprio jornal, se tornou “Jair Bolsonaro ganha fôlego.” Ganha mesmo? Lhes convido a examinar, tão friamente quanto possível, os dados de que dispomos.
A recuperação silenciosa de Jair Bolsonaro é mito ou verdade?
Há uma recuperação silenciosa do presidente Jair Bolsonaro? Esse é um esforço de constatação que tem se tornado um mantra e um bordão dos analistas políticos de verdade e aventureiros de “redes sociais” após as últimas pesquisas do Ipespe, da Quaest e, agora, da FSB. Mas será que há realmente essa recuperação? Em primeiro lugar, antes de se aventurar em maiores conclusões, é preciso fazer uma distinção fundamental. Uma coisa é a popularidade e a aprovação de governos.
As eleições serão uma disputa entre democracia e antidemocracia. O resto é distração | por Camilo Aggio
O sistema de som de um supermercado em um bairro de classe média de Belo Horizonte informava nesta semana que diversos itens estavam com os preços reduzidos. Nas palavras do locutor, o objetivo dos descontos era que o consumidor fizesse “…seu salário durar até o fim do mês”. A calamidade econômica e social que o Brasil vive nos últimos anos foi largamente registrada pela imprensa e, avulsamente, nas redes sociais.
Comunismo e nazismo não se equivalem nem na forma, nem no conteúdo | por Camilo Aggio
O grave episódio envolvendo o ex-apresentador do podcast Flow Monark suscitou um amplo debate público sobre muitas camadas que constituem o que considero ser um problema concreto e grave em termos sociais e políticos. Eu vou lidar apenas com duas delas. A primeira diz respeito à falsa equivalência feita tanto pelo ex-apresentador quanto pelo deputado federal Kim Kataguiri na ocasião: a ideia de que nazismo e comunismo se equivalem.
O interesse dos jovens pela política e a importância das 'lideranças de opinião' nas redes
Por meio de uma coluna de Patrícia Campos Mello e outras entrevistas, tomei conhecimento de uma nova pesquisa realizada por Esther Solano e Camila Rocha, ambas pesquisadoras que têm se dedicado a estudar os fatores que incidem sobre a formação das mentalidades e posições políticas no Brasil contemporâneo, principalmente no que diz respeito aos novos movimentos de conservadores, da direita e da extrema-direita.
Facetas nem tão discretas do machismo
Nesta coluna deixo a política um pouquinho de lado para tratar, talvez, de uma faceta pouco explorada – ou até mesmo tabu – do machismo. Parto de alguns resultados de pesquisas quantitativas e qualitativas realizadas pela antropóloga Mirian Goldenberg, que tratou de investigar, por meio de mais de mil entrevistas com homens e mulheres, suas percepções sobre amor, sexo e traição.
Opinião: O racismo contra negros no Brasil é estrutural. Mas isso nada tem a ver com o capitalismo
A controvérsia expressivamente inflamada que se arrasta por quase duas semanas em razão de texto de Antônio Risério publicado na Folha de S. Paulo, se dá, fundamentalmente, por conta da definição de um conceito: racismo. Em disputa, estão duas noções que hoje se apresentam como concorrentes: a ideia de que racismo só é racismo se for estrutural e a noção de que nenhum racismo precisa ser estrutural para se configurar como tal.
Como enfrentar as fake news
Conforme prometi na última coluna, retomo o tema do problema das fake news. Permitam-me reiniciar a discussão com uma nova ilustração e uma breve digressão. Segundo pesquisa realizada pelo Seade, do Governo do Estado de São Paulo, e publicada no último dia 7, 84% dos responsáveis por crianças no estado de São Paulo afirmam que pretendem vacinar suas filhas e filhos contra a Covid- 19.
Impacto das fake news em 2022 não será resolvido com educação midiática | por Camilo Aggio
Este texto surgiu de um recente episódio do podcast “Café da Manhã”, que contou com a participação de Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta e membro do conselho editorial do jornal Folha de S.Paulo. O título não deixa dúvidas: as fake news são um problema a ser enfrentado num mundo em que a política e outras dimensões do cotidiano estão cada vez mais vivos e entranhados nas plataformas digitais. Mas o que fazer para “não cair em fake news em 2022”?
'Medo do comunismo' mostra que agenda reacionária de 2018 será explorada em 2022
Para quem achava que o “fantasma do comunismo” era algo residual no imaginário coletivo do eleitorado brasileiro ou uma espécie de sentimento social e político superdimensionado por supostas atipias das eleições de 2018, eis que surge o instituto Datafolha e mostra que quase metade (44%) da população brasileira acredita que o Brasil corre o risco de se tornar um país comunista após as eleições de 2022.
Quem milita contra as vacinas, milita contra a vida. Eis o caso de Janaína | por Camilo Aggio
Não, vacinas não provocam aborto. Também não provocam autismo, não trazem chips embutidos em sua composição, não foram criadas por Bill Gates e não são vendidas pela indústria farmacêutica a governos no lugar de fármacos mais baratos e potentes. Vacinas são, tão e somente, o meio mais eficiente e econômico para salvar vidas. Esse é o consenso da comunidade científica, graças a experimentos laboratoriais rigorosos e acúmulo extraordinário de evidências científicas.
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