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Articles by Djamila Ribeiro
O voto que depende de carona, gerente e sorte
Publicada nesta Folha há três semanas, a coluna "Quem tem tempo para votar?" trouxe repercussões e novos diálogos que aprofundam o debate sobre acesso ao voto. Em resposta à coluna, o advogado público Joabe dos Santos Souza enviou-me documentos e casos que mostram a urgência do assunto. Um dos julgados apresentados por Souza em sua mensagem ocorreu em Mato Grosso, na véspera da eleição de 2014, uma das mais acirradas eleições da história.
Os fantasmas que o Brasil se recusa a enterrar
Em "Memórias da Plantação", a pensadora e artista Grada Kilomba recorre à metáfora do fantasma para refletir sobre a permanência do passado colonial no presente. Para a autora, o colonialismo não seria uma história encerrada, guardada nos livros ou confinada aos museus, mas uma presença que continua a organizar relações sociais, produzir desigualdades e assombrar aqueles que se recusam a reconhecer sua existência.
Master, tráfico sexual e responsabilidades
Fiquei enojada, mas não surpresa, com a reportagem "Vorcaro era sócio oculto de agência de prostituição e recrutou refugiadas", publicada por Natália Portinari, Cézar Feitoza e Fabio Serapião no UOL na última terça-feira (13). Quem lê esta coluna também não foi surpreendido. Afinal, desde 19 de fevereiro deste ano, fui pioneira na imprensa brasileira ao denunciar a falta de investigação por parte da Polícia Federal sobre possível tráfico de mulheres para exploração sexual no caso.
Quem tem tempo para votar?
Encerrado o primeiro turno das eleições nacionais, multiplicam-se análises sobre culpas e responsabilidades pelos resultados. No centro da disputa estão os mais de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Um contingente dessa dimensão merece mais do que explicações tiradas da cartola.
Direitos das mulheres não são respeitados - 01/10/2026 - Djamila Ribeiro - Folha
No último dia 28 de setembro, as mulheres brasileiras saíram em passeata pouco divulgada pela mídia em comemoração ao Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto. Foi acompanhando essa mobilização e assistindo a um pronunciamento de Rute Alonso, da organização União de Mulheres, que decidi escrever este texto.
El poder simbólico de Claudia Sheinbaum
Cuando Claudia Sheinbaum Pardo asumió la Presidencia de México, en octubre de 2024, llevaba décadas vinculada a la política. Se formó en las asambleas del movimiento estudiantil que defendía la universidad pública y en los laboratorios donde se doctoró en Ingeniería Energética, antes de dar el salto al gobierno.
É preciso investigar tráfico sexual no caso Master - 24/09/2026 - Djamila Ribeiro - Folha
Conforme denunciado em primeira mão nesta coluna —e levado ao conhecimento de autoridades e organizações internacionais—, a realização de orgias que reuniram mulheres brasileiras e estrangeiras contratadas como garotas de programa, autoridades públicas brasileiras e convidados do banqueiro Daniel Vorcaro deve ser investigada pela Polícia Federal (PF) sob a perspectiva dos possíveis crimes de exploração sexual, tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, registros de imagens sexuais sem...
Amelinha Teles - 17/09/2026 - Djamila Ribeiro - Folha
Ao final dos encontros das Promotoras Legais Populares, na rua em frente à União de Mulheres, Amelinha mandava tocar "Maria, Maria", de Bituca e Fernando Brant, para êxtase da mulherada. A música fala em ter fé na vida, apesar de tudo, e se tornou um hino do movimento feminista brasileiro, do qual Amelinha foi uma de suas maiores expoentes. É preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre. E eu precisei disso tudo quando soube de sua passagem, neste último dia 15, aos 82 anos.
Zélia Amador nos braços de Nanã
Uma vida longa e uma partida que deixa memórias de quem segue a percorrer sua jornada. Um plantio próspero, uma colheita farta. Um nome e um sobrenome que seguirão sendo ecoados pelos tempos que virão. Conselhos que guiam boas decisões, um solo mais fresco. A sabedoria como um canal dos ancestrais para as gerações que nos sucedem. O canto de África, o cordão de proteção, o açaí, o tacacá e palmas para as divindades. A teia de Ananse.
Conócete a ti mismo: Una lectura de la machosfera desde el feminismo negro
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Meus diálogos com o tempo - 03/09/2026 - Djamila Ribeiro - Folha
Faz algum tempo que venho refletindo sobre a importância do tempo. Tempo para pensar, elaborar outras formas de ver o mundo, de simplesmente poder dar um tempo. Não tem sido um processo fácil. Quem precisou lutar para sobreviver acredita que o tempo precisa ser utilizado de modo a seguir garantindo a sobrevivência. De tal modo que, mesmo quando a realidade se apresenta menos desfavorável, a gente não acredita que pode "perder tempo", tamanha a naturalização da pressa.
Zélia Amador de Deus, de Ananse, de Nanã e do Pará
Há muito o que ver em Belém, capital paraense que amo visitar. É daqui que escrevo este texto, com vista para a baía do Guajará, tomada por um sentimento de gratidão após o encontro com um patrimônio do Pará: a professora doutora Zélia Amador de Deus. Para quem ainda não a conhece, é preciso dizer que a professora Zélia é uma lenda viva brasileira.
A sorte de encontrar um gato preto
No último dia 17 de agosto, celebrou-se o Dia Internacional de Apreciação do Gato Preto. Criada nos Estados Unidos pelo protetor de animais Wayne H. Morris, a data presta homenagem a Sinbad, gata preta que pertenceu à sua irmã, e procura combater uma das mais persistentes injustiças produzidas pela superstição humana. Contudo, quando vi, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a "apreciação" do gato preto. Na hora, quis me somar a essa data.
A Lei de Alienação Parental mata
Excepcionalmente o espaço foi cedido pela colunista à autora convidada Diante da morte brutal do menino Gustavo Veloso Feitosa, de apenas três anos, e da urgência do debate sobre a revogação da Lei de Alienação Parental, a LAP, decidi ceder este espaço a quem conhece de perto os efeitos dessa legislação sobre mulheres e crianças. A coluna desta semana é assinada por Vanessa Hacon, doutora em ciências sociais e presidente da Associação Mães na Luta.
Assumir o leme é descobrir destinos que dizem estar fora de nosso alcance
Enquanto descia a serra de Cunha a bordo da van de jornalistas e colunistas da Folha rumo à Festa Literária Internacional de Paraty, não imaginava que, duas semanas depois, estaria pensando e escrevendo sobre as capitãs das águas e o Catavento. O Catavento é um veleiro feminista de 32 pés liderado pela capitã Carol Melchor. Há cinco anos, a embarcação vem transformando as dinâmicas do mar que cerca mansões em ilhas privadas ao píer ocupado pelos passeios turísticos.
Celebremos os 90 anos de Ignácio de Loyola Brandão
Ao encontrá-lo, só sei aproveitar sua presença, rir de sua ironia e me deleitar com suas histórias. Mas, como sua companhia é boa demais, sempre fico com a impressão de que converso com meu amigo menos do que gostaria. De longe, fico em paz sabendo que está bem, cercado de afeto e envolto em sua mágica caminhada. Mas é seu aniversário, e temos uma oportunidade de ouro para lhe dizer coisas boas e desejar-lhe tudo de melhor.
Opinião - Djamila Ribeiro: Na Ucrânia, a cultura é uma outra forma de resistência à ocupação
Há anos nutro uma admiração improvável pela banda ucraniana DakhaBrakha. Começou durante a pandemia, quando ouvi pela primeira vez a música "Baby", sugerida por um aplicativo. A canção começa com um vocal masculino e alterna a um coral de mulheres em ucraniano. Não compreendo uma palavra daquele canto, mas ele sempre me conduz a um lugar de bênção e de magia. As boas músicas têm esse poder: aproximam-nos do sagrado, seja qual for o idioma.
Opinião - Djamila Ribeiro: Redes sociais transformam ressentimento masculino em identidade coletiva
Enquanto aguardava meu voo de volta para São Paulo, no aeroporto de Confins, conversei com a repórter Nathalia Durval, da Folha, sobre o 15 de julho, Dia do Homem —data cuja existência, confesso, eu desconhecia. A pauta, no entanto, se tratava da chamada crise da masculinidade e o avanço dos discursos "red pill", tema do livro que estou escrevendo neste momento.
Quem manda no esporte brasileiro?
Se "escravos de US$ 40 milhões" têm pouco ou nenhum poder sobre a própria carreira, quem desenha as diretrizes, a política e a gestão do esporte brasileiro? Vimos na coluna passada como a ascensão de atletas negros não se traduz em poder de decisão e como o fosso é ainda mais profundo para as mulheres. Ficou a promessa de avançar para as políticas de Estado. Para prosseguir, tive que transcender um pessimismo particular.
Poder de atletas negros e mulheres não elimina a estrutura - 02/07/2026 - Djamila Ribeiro - Folha
Lembro-me de ter lido, em 2006, a reportagem desta Folha sobre o livro "Forty Million Dollar Slaves" —escravos de US$ 40 milhões—, do sociólogo, ex-jogador de basquete e comentarista americano William C. Rhoden. Na obra, ele analisa a condição dos jogadores negros no esporte do seu país, em especial no basquete. Era raro encontrar, naquela época, uma abordagem como aquela na imprensa.
Em ano eleitoral, é nossa missão debater a gravidez na adolescência
A gravidez na adolescência é um dos sérios problemas que o Brasil precisa enfrentar. Seja pela falta de educação sexual, o número absurdo de violência sexual contra meninas e adolescentes, seja pelo fato de o Brasil ser o quarto país do mundo em casamento infantil. Depois das restrições impostas pelo Congresso Nacional ao acesso ao aborto legal, o que sempre foi ruim conseguiu piorar.
Salão do Livro do Piauí celebrou a literatura como um bem comum
O Piauí recebe com fidalguia. Essas palavras, que são do poeta Salgado Maranhão, me acompanham sempre que tenho a alegria de voltar ao estado. Nessa última semana, estive em Teresina para participar do Salão do Livro do Piauí, o Salipi, pela terceira vez nos últimos sete anos. Desta vez, porém, a emoção foi diferente. Recebi o título de embaixadora do Salipi, fazendo companhia ao próprio Salgado, também embaixador. É uma honra que acolho com gratidão e senso de responsabilidade.
Patriarcado, machismo e misoginia
Há alguns meses venho elaborando um estudo sobre o filme "Matrix", de 1999. Inclusive, desenvolvi um curso online com apostila que tem sido transmitido em escolas públicas e privadas, associações de classe e organizações de bairro, em que me proponho a analisar o filme sob a lente feminista, oferecendo uma releitura da metáfora da pílula vermelha. O curso, chamado "Pensamento Redpill", mergulha na metáfora da cena protagonizada por Morpheus, líder da resistência, e Neo, o "escolhido".
Opinião - Djamila Ribeiro: Sambas de Paulinho da Viola acompanham memórias felizes
No carro, ouvindo "Meu Mundo É Hoje", do gênio Wilson Baptista, inconfundível na voz de Paulinho da Viola, tive a ideia desta coluna. Era fim de noite e o trânsito se arrastava na saída do aeroporto de Guarulhos para casa, depois de nove meses longe do Brasil. Contemplativa, dentro do carro o tempo tinha outra velocidade, a mesma de um samba que não envelhece, que anda com o vagar de quem já aprendeu que a pressa é inimiga da cadência.
Opinião - Djamila Ribeiro: O desinteresse pelas mulheres nas investigações do caso Master
A menos de cinco meses para as eleições, os escândalos do Banco Master ainda chocam parte honesta da população brasileira. Há muita gente séria neste país que não consegue compreender —ou, ao menos, não consegue aceitar— o grau de degradação moral ao qual fomos conduzidos. Por isso, em nome da memória, sigo voltando ao assunto.
Opinião - Djamila Ribeiro: Professor Kabengele Munanga: uma lenda viva
Nesta semana, o programa Mano a Mano, conduzido por Mano Brown e Semayat Oliveira, presenteou o público com uma entrevista monumental. Na cadeira de convidado, estava o professor Kabengele Munanga. O episódio serviu de impulso definitivo para esta coluna: um momento de pausa, escuta e reverência a esse brilhante pensador congolês-brasileiro. Professor emérito da Universidade de São Paulo, aos 85 anos de idade Munanga é baluarte da intelectualidade negra brasileira.
Opinião - Djamila Ribeiro: Violências sexuais contra prisioneiros palestinos em Gaza
Li um artigo de Nicholas Kristof no jornal The New York Times sobre as denúncias de violências sexuais contra palestinos em prisões israelenses. O texto foi publicado nesta terça-feira (12) pela Folha graças à parceria entre os dois jornais e trouxe ao leitor informações detalhadas sobre estupros em série cometidos por oficiais do Exército e da guarda penitenciária de Israel. É preciso voltar a 7 de outubro de 2023. Naquele dia, homens do Hamas atacaram uma multidão.
Opinião - Djamila Ribeiro: O centenário de Milton Santos
Nascido em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas (BA), Milton Santos construiu uma trajetória intelectual extraordinária em um país que cultiva aversão a intelectuais independentes e exclui populações negras das universidades. Mesmo num ambiente estruturalmente racista, tornou-se um dos maiores geógrafos da história mundial e um dos mais destacados mestres que o Brasil já produziu.
Opinião - Djamila Ribeiro: Silêncios sobre violência sexual em delações
As denúncias em massa de abuso sexual e tráfico humano cometidos, ao longo de décadas, por Mohamed Al-Fayed (1929–2023), bilionário egípcio que viveu na Inglaterra, devem repercutir no Brasil nos próximos meses. Mohamed foi pai de Dodi Al-Fayed, namorado que estava com a princesa Diana no acidente de carro em Paris, em 1997, que tirou a vida de ambos e é uma figura amplamente conhecida em diferentes partes do mundo.
Uma tempestade em Benguela - 23/04/2026 - Djamila Ribeiro - Folha
Nos primeiros dias de abril, uma tempestade de grandes proporções atingiu a cidade de Benguela, na costa de Angola. A cidade —eternizada no Brasil pela líder abolicionista Tereza de Benguela, pelos cantos de Clementina de Jesus e por toda uma tradição de memórias e práticas culturais afrodescendentes— hoje precisa de ajuda. As chuvas provocaram o rompimento de um dique, o que levou ao transbordamento do rio Cavaco, deixando um rastro de casas e infraestruturas submersas e destruídas.
Opinião - Djamila Ribeiro: Eu não estava louca ao cobrar investigação sobre orgias do Master
Dizem que o Brasil é um "país sem memória". O que existe é uma memória oficial construída a partir da supremacia de um grupo racial e masculino. Os povos negros, indígenas e migrantes ficaram de fora, como também ficou de fora a grande maioria das mulheres, em que pese muito tenham falado. Só que esta terra brasileira foi encantada com seu suor, seu sangue e sua fé. Minhas ancestrais, por exemplo, se lembram de tudo e me abençoam para que eu conte minha própria história —senão, ninguém mais o fará.
O covarde assassinato de uma jovem e seu filho - 09/04/2026 - Djamila Ribeiro - Folha
Com o pesar de quem é mãe, procuro palavras para honrar a memória de Karielle Lima Marques de Souza, 23 anos, e de seu filho Nicolas Marques Sodré, de 6. Não as encontro à altura da revolta que sinto. Karielle e Nicolas foram assassinados covardemente por um homem de 32 anos que, incapaz de aceitar a rejeição, no mesmo dia tirou a própria vida, segundo apontam as investigações.
Opinião - Djamila Ribeiro: Na machosfera, a frustração sexual de jovens é capturada e manipulada
Todas as sextas-feiras, dias em que esta coluna é publicada, sei que uma das primeiras mensagens que encontrarei ao olhar o celular pela manhã será a do meu amigo Renato Nalini comentando o texto. Nalini acorda cedo —muito mais cedo do que eu— e suas mensagens chegam como quem deixa flores na porta de casa. Há nelas uma delicadeza rara: sua fala é terna, suas palavras são sábias e sua capacidade de manter um diálogo profundo, atento e engraçado com mulheres sempre me chamou a atenção.
From Santos to Cambridge
Djamila Ribeiro embraces Nigerian writer Chimamanda Ngozi Adichie Photo credit: Alexandre Brum/Agência Enquadrar/Folhapress In March 2005, I rocked my baby girl’s chair with one foot while calling every newsroom in São Paulo to announce an unlikely soccer match: the Boston Braves veterans’ team was flying south to face the masters squad of Santos Futebol Clube, home of Pelé. At that time, journalism school had become financially impossible.
O assassinato da comandante Dayse Barbosa por um covarde - 26/03/2026 - Djamila Ribeiro - Folha
A comandante Dayse Barbosa tinha mais de 15 anos de carreira na Guarda Municipal de Vitória e havia se tornado a primeira mulher a comandar a corporação. Psicóloga de formação e pós-graduada em segurança pública, construiu sua trajetória em uma área historicamente marcada pelo compromisso institucional e pelo rigor no enfrentamento a agressores de mulheres. Durante sua gestão, a cidade de Vitória havia alcançado um marco importante: 652 dias sem registros de feminicídio.
Quem paga a conta da desigualdade racial?
Escrevo a convite do Poder360 para o Dia Internacional contra a Discriminação Racial. Por força das circunstâncias, escrevo em um estado de espírito mal-humorado diante dos rumos do espetáculo político que assola o país.
Opinião - Djamila Ribeiro: As dificuldades do acesso à Justiça por mulheres
O acesso à Justiça por mulheres no Brasil constitui um dos pontos nevrálgicos para a compreensão das tensões entre formalidades e efetividade de direitos em sociedades marcadas por desigualdades estruturais. Trata-se de uma questão que revela os limites do próprio Estado em responder às experiências de violência e exclusão vividas por mulheres —especialmente quando atravessadas por raça, classe e território.
Opinião - Djamila Ribeiro: Banco Master e os podres poderes patriarcais
Reveladas fraudes bilionárias em fundos de pensão, orgias com garotas de programa estrangeiras e contratação de um sicário, a situação do Banco Master ganhou ares de escárnio. Talvez alguns homens consigam escapar de serem expostos por seus envolvimentos com o banqueiro. Todavia isso parece improvável, sobretudo no caso de autoridades que ocupam chefias de instituições e que se esbaldaram em eventos grotescos que vêm sendo revelados dia após dia.
Opinião - Djamila Ribeiro: A guerra contra as mulheres continua
Cibelle Monteiro Alves foi assassinada pelo ex-namorado dentro da joalheria em que trabalhava, no Golden Square Shopping, em São Bernardo do Campo (SP). A jovem, de 22 anos, foi esfaqueada no próprio ambiente profissional. Munido de uma arma falsa, o agressor ainda fez reféns no interior da loja. Após os crimes, veio a público que ela havia registrado três ocorrências contra ele, que havia medida protetiva de urgência em vigor e que ele utilizou transferência via Pix para enviar ameaças.
Banco Master e a desumanização das mulheres - 26/02/2026 - Djamila Ribeiro - Folha
Conforme abordamos na coluna passada, são preocupantes as narrativas atribuídas à Polícia Federal que classificam orgias entre garotas de programa europeias, autoridades públicas e convidados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro como um fato penalmente "não relevante", salvo se utilizadas para a prática de crimes contra a administração pública.
Opinião - Djamila Ribeiro: As mulheres das festas do Banco Master
Em meio à repercussão do caso de Jeffrey Epstein —financista americano apontado como líder de um esquema de tráfico sexual, bem como autor de violência sexual contra meninas e mulheres—, observamos os desdobramentos do caso e de estruturas semelhantes no Brasil.
Djamila Ribeiro: Vamos mesmo rachar a conta?
Li, na última semana, a entrevista concedida pelo CEO do banco Itaú, Milton Maluhy Filho, a esta Folha, na qual o executivo reflete sobre o banco Master. É sobre o conteúdo dessa entrevista que me ocupo neste texto. Como é de conhecimento público, o banco Master foi liquidado pelo Banco Central no fim de 2025. Faço parte do imenso contingente da população que jamais havia ouvido falar da instituição antes da repercussão do caso, quanto mais de seu banqueiro.
Opinião - Djamila Ribeiro: O cão Orelha e a maioridade penal
Em continuidade à coluna publicada na última semana, o indiciamento do jovem acusado de agredir e matar o cão Orelha, bem como as notícias que se seguiram, em que vieram à tona informações relevantes, inspiram reflexões e iluminam aspectos importantes do caso.
Opinião - Djamila Ribeiro: Os sinais da violência no assassinato do cachorro Orelha
O assassinato do cachorro Orelha enlutou uma comunidade e todo o país. Numa reportagem, um homem foi entrevistado visivelmente emocionado. Ele levava comida a Orelha todos os dias e pensar em sua dor em não mais encontrar o amigo nos atravessou. Como milhões de pessoas em todo país, pensei no cãozinho, agradeci por sua jornada neste planeta e rezei para que, em outro plano, continue recebendo o amor e cuidado que recebeu da comunidade da praia Brava durante toda sua vida.
Opinião - Djamila Ribeiro: Martin Luther King e as batalhas contra as guerras
O Martin Luther King Day, feriado em memória do legado de Dr. Martin Luther King Jr. (1929-1968), ocorre toda terceira segunda-feira do mês de janeiro nos Estados Unidos. Foi a primeira vez em que pude viver o dia por aqui e enxerguei uma oportunidade para pensar que reflexões o líder do movimento dos direitos civis, emissário de ideias de paz, igualdade e justiça social, pode nos oferecer para interpretar os tempos presentes.
A despedida de Mãe Ana de Ogum - 15/01/2026 - Djamila Ribeiro - Folha
A morte de Mãe Ana de Ogum, iyalorixá do Ilè Àse Ojú Onirè, é uma perda profunda para o candomblé e para a cultura brasileira. Com ela, parte uma matriarca cuja trajetória se confunde com a própria história de resistência das religiões de matriz africana no país. Iniciada ainda jovem pela ancestral Mãe Simplícia, do Ilê Axé Oxumarê, em Salvador, Mãe Ana foi uma predestinada.
Opinião - Djamila Ribeiro: Se defender prisão a quem violenta mulheres é ser punitivista, aceito o rótulo
Enquanto a agenda nacional se fragmenta entre a Venezuela e as investigações sobre um banco de investimentos em liquidação, uma guerra escancarada e contínua não deu trégua: a guerra contra as mulheres no Brasil. Ilustração de Aline Bispo para coluna de 9 de janeiro de 2026 - Aos homens que se irritam por serem lembrados de que mulheres seguem sendo mortas todos os dias, em todas as regiões do país, paciência.
Djamila Ribeiro: Morte de Tainara marcou as festas de fim de ano das mulheres brasileiras
Eu gostaria que minha primeira coluna do ano fosse sobre esperançar o mundo apesar de todas as batalhas. Queria falar de amor, talvez, um sentimento tão necessário e, por vezes, escasso. Mas sinto que não é possível escrever sobre qualquer assunto que não seja Tainara Souza Santos, de 31 anos, que após dias de luta pela vida morreu na véspera de Natal.
Djamila Ribeiro: Tempo de renovação
Com a maturidade, um divórcio, uma filha crescida e uma carreira, o fim do ano passou a me oferecer algo raro: a autorização social para pausar. Morando fora do país, a sensação é ainda mais nítida —nem preciso arranjar desculpas para ficar em casa, na minha. Não me entendam mal: no geral, gosto da ceia, do encontro, da expectativa que antecede a noite.
Opinião - Djamila Ribeiro: O cansaço como base para um sistema patriarcal e racista
Há algumas semanas, quando escrevi nesta coluna sobre o feminicídio de Catarina Kasten, manifestei minha solidariedade às suas amigas e colegas de trilha e comentei como a necessidade permanente de vigilância é profundamente danosa à saúde das mulheres. Na coluna desta semana, proponho aprofundar essa reflexão. O estado de alerta contínuo em que vivem as mulheres diante do medo de sofrer violência sexual por homens está amplamente documentado.
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