A tíbia é o osso da canela. Simples, duro, frontal. Nas distritais, onde joguei em miúdo, dizia-se, com mais fé do que fisiologia, que “até ao pescoço é canela”. É a licença poética do arrojo: era para entrar com tudo. O tíbio é o contrário metafórico da tíbia: o frouxo que aquece as mãos no lume brando das palavras e recua quando chega a hora do carrinho. O futebol, sobretudo o do Benfica de hoje, às vezes tem destas ironias: em campo, precisamos de mais tíbia; na tribuna, queremos menos tíbios.